domingo, 7 de abril de 2013

A construção do socialismo no Vietnã



O embaixador vietnamita no Brasil, sr. Duong Nguyen Tuong, realizou hoje uma palestra sobre o tema “A construção do socialismo no Vietnã”,na sede nacional do Partido Comunista do Brasil. Bem-humorado e falando em português, iniciou a sua exposição lembrando que desde a independência do país,em 1945, o Vietnã luta para construir uma sociedade socialista. Com a queda da União Soviética e do bloco socialista na Europa Oriental, o Vietnã passou por grandes dificuldades; para solucioná-las, a partir de 1986, o Partido Comunista do Vietnã decidiu implantar uma série de reformas econômicas, permitindo a instalação de empresas privadas e adotando uma economia socialista de mercado,sem abdicar do controle estatal sobre os serviços públicos básicos e do controle político do país pelo PC. O Vietnã, nas palavras de Duong Nguyen Tuong,tem um modelo de socialismo próprio, com características vietnamitas, diferente do implantado na China ou na Coréia Popular, embora os três países pertençam ao bloco socialista hoje, juntamente com Cuba. A abertura ao capital privado favoreceu o crescimento da indústria e do setor de serviços, mas também possibilitou o surgimento de uma nova burguesia no país, com representação política no congresso, mas não no partido. Para evitar que a nova classe retire o poder das mãos dos trabalhadores, há constante vigilância popular, células do partido atuando nos bairros e aldeias e uma forte preocupação com o trabalho ideológico. A abertura ao capital privado foi inevitável, segundo o embaixador,não apenas por causa do fim da União Soviética, mas também porque o Vietnã era um país muito atrasado, feudal, e não havia condições para se “pular etapas”históricas. A construção socialista será obra de longo prazo, mas ele destaca algumas conquistas importantes, como os investimentos realizados na área da “economia do conhecimento”, para dotar o Vietnã de recursos científicos e tecnológicos. O camarada Duong Nguyen Tuong, que foi guerrilheiro durante a heroica resistência vietnamita ao imperialismo norte-americano, nas décadas de 1960-1970, elogiou programas sociais dos governos Lula e Dilma, citando especialmente o “Minha casa, minha vida”, e declarou que o Brasil pode dar um exemplo da participação da mulher na vida política – no Vietnã, elas representam apenas 20% dos membros do congresso e 10% do Comitê Central. Após a palestra, o embaixador respondeu a diversas perguntas da platéia, e no final do evento o secretário de relações internacionais do PC do B, Ricardo “Alemão” Abreu, anunciou que uma delegação do partido faria em breve uma visita ao Vietnã, para a troca de experiências entre os dois partidos.

Fonte:Claudio Daniel

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